Pois é amigos, faz mais ou menos um mês que nosso clubes voltaram a correr atrás da bola (e alguns já parecem cansados).
Sei que o começo dos estaduais não é lá um grande parâmetro pra dizermos o que será do 2013 de cada um.
Mas algumas coisas já deu pra observar.
Por exemplo: Se a Ponte Preta fosse de outro estado, além do fato de que já teria 18 títulos estaduais, fatalmente venceria a edição 2013 também.
Se os treinadores fossem trabalhar em equipes compatíveis às suas últimas conquistas, Luxemburgo hoje estaria treinando o Macaé.
E se o Neymar vendesse tomate no Mercadão, não pegaria nem as figurantes da RedeTV.
Agora deixando as brincadeiras de lado, vamos ao que interessa, os times e suas características (boas e ruins) já expostas neste início de 2013.
Pela ordem das conquistas de 2012, comecemos pelo Corinthians. Os titulares em Yokohama voltaram depois de todo mundo. Mas já fizeram lá sua meia dúzia de jogos e também podem ser, pelo menos parcialmente, avaliado por estas partidas.
Como sabemos, o Timão se reforçou com nomes de primeira grandeza, com destaque pra Renato Augusto e Alexandre Pato. Estes têm entrado nos jogos com muita vontade de mostrar serviço. Já os campeões mundiais...
Justiça seja feita, tenho de destacar o centroavante Paolo Guerrero. O cara se doa em todo jogo, e parece que a entrada do Pato vai ter de sobrar na conta do Sheik. Aguardemos.
Quanto ao resto do time, se sobressai um relaxamento natural de quem venceu um Mundial. Só não pode durar muito. A defesa tem mostrado uma fragilidade até pouco tempo desconhecida, talvez pelo esquema corintiano depender necessariamente da intensidade de todo o time pra funcionar. Quando os caras lá na frente estão devagar, estoura lá atrás. Enfim, ainda acho que caberia a contratação de um zagueiro daqueles que chegam pra ser titular. De resto, tá redondinho.
O São Paulo foi outro que se reforçou com nomes reconhecidos, entre eles o ex-capitão da Seleção Brasileira Lúcio e o meia Paulo Henrique Ganso. Sobre estes dois recaem as principais observações do início de ano tricolor.
Com Lúcio fica a clara impressão de que, ou joga ele, ou joga o Rodholfo. Os dois juntos é difícil. Um quarto zagueiro se faz necessário e o Tolói teria de atuar pra dar apoio a um dos dois. A insistência de Ney Franco com dois beques centrais deixou a zaga muito lenta e o Tricolor foi derrotado assim nos dois primeiros grandes jogos do ano, contra Santos e Atlético-MG.
Sobre Ganso, até agora tem ficado muito claro que o time anda melhor sem ele. Jadson dá uma dinâmica diferente a equipe e o esquema de três atacantes é o que têm funcionado melhor. Esse São Paulo é veloz por essência. Ganso não.
Aí sobram três opções pro caso. Ele se adapta ao time sendo mais dinâmico e participativo, o time se adapta a ele se tornando mais cadenciado e passador, ou ele fica no banco e o time segue como está. A opção C parece a mais fácil de acontecer. No mais, o 4-2-3-1 (ou 4-2-1-3) Tricolor tem funcionado muito bem, obrigado.
No Palmeiras a expectativa de tragédia vai aos poucos se convertendo em esperança. O time segue fraco, como não haveria de ser diferente, mas pelo menos tem jogado algo mais parecido com futebol. Está a 7 jogos sem perder e, ao contrário do que muitos previam, não passou vergonha nem no clássico contra o Corinthians, nem na estreia da Libertadores.
Claro que pra disputar título tem muita coisa pra arrumar. Faltam principalmente um bom zagueiro pra jogar com o Henrique (talvez o Vilson supra essa necessidade), um bom primeiro volante pra acabar com as improvisações de Vilson, Márcio Araújo e etc, além de um bom centroavante pra suprir a saída de Barcos. De resto tem um goleiro nota 7, laterais dignos, bons segundos volantes e, agora com Leandro pra segundo atacante, mais um problema pode ter ficado pra trás. Na Libertadores será muito difícil ir longe. Já na Série B tem tudo pra dar certo.
Encerrando o giro paulista, o Santos. A equipe trouxe bons nomes e agora possui um elenco sem desculpas pra não funcionar. Se as laterais seguem como um problema crônico, a chegada de Renê Junior deu ao meio-campo toda a condição de criar com Arouca e os outros bons reforços Cícero, Marcos Assunção e Montillo. E mesmo assim o setor ainda não embalou.
Por vezes o time, que já tem tendência a pender pra esquerda por causa de Neymar, cai ainda mais por ali graças a fase complicada de seu lado direito. Arouca está em baixa e Bruno Peres é uma baixa. Muricy precisa encontrar uma maneira de balancear o time. A dupla de zaga segue passando toda a insegurança que é de costume e Rafael já viveu dias melhores. Ainda assim, pro que vai disputar no ano, pode dar certo. Basta o meio-campo se entrosar, a defesa adotar a política de fazer o simples e o Neymar correr menos de cabeça baixa.
Em outros estados, podemos observar que Dorival parece estar começando a montar uma equipe minimamente competitiva no Flamengo. Que o Fluminense continua com o jeitão “ganho o jogo que quiser, na hora que quiser”. Que o Vasco tá num “me engana que eu gosto” que só vai estourar lá na frente. E o Botafogo, mesmo com um elenco cada vez melhor, não engrena nem com reza braba.
Estamos vendo também que o Atlético-MG segue forte, competitivo, com grandes perspectivas pro ano. Tem o melhor miolo defensivo do Brasil (Réver, Leonardo Silva, Pierre e Gilberto Silva) e é sim um dos candidatos ao título da Libertadores. Enquanto o Cruzeiro se reforçou bem, mas segue como uma incógnita (vence o clássico e empata com o Guarani de Divinópolis).