E em consequência disso com certeza está sabendo alguma coisa sobre a espetacular campanha do Atlético-MG. A equipe de Belo Horizonte encerrou o primeiro turno beirando 80% de aproveitamento dos pontos. OITENTA POR CENTO.
Pra se ter uma ideia, o Barcelona terminou o último Campeonato Espanhol com 79,8% de aproveitamento. E olha que lá os caras só enfrentam o Real Madrid de igual pra igual.
Se o Galo vai ter gás pra ir até dezembro na frente é outra história. Mas, no mínimo, já é admirável o desempenho de um gigante que vinha desacordado há um longo (longo mesmo, pra caramba, longuíssimo) inverno.
Aí você pode se perguntar: Esse momento tão especial caiu do céu? É um milagre? É a força do destino? De jeito nenhum (aliás, nada na vida é).
Cinco pontos são cruciais para o Galo estar onde está. E não, a sorte não é nenhum deles.
1) O grupoE não estou falando da qualidade técnica do grupo (que nem tanta assim), tô falando de pessoas que estão convivendo junto e se curtem. Sabemos que futebol é (ou tenta ser) profissional e o cara tem jogar bem com quem quer que seja. Mas qualquer um que joga bola sabe também que jogar com um amigo é diferente. O cara faz uma merda e você sai desesperado correndo pra dar cobertura. Quando acontece o contrário, ele faz o mesmo por você.
E olha, vou te falar que isso no jogo faz uma diferença do cacete.
No Atlético a coisa tá assim, os caras saem do treino e vão pra gandaia juntos. Marcam churrasco, vão pras festas do Ronaldinho, shows, baldas, o diabo. Se tirar isso deles, é crise certa, pode apostar. A filosofia pode até não ser a mais correta, mas deu o título brasileiro de 2009 pro Flamengo.
2) Ronaldinho Gaúcho
E novamente não estou falando do nível técnico do meninão (que HOJE nem é tanto assim). Claro, 30% do Ronaldinho Gaúcho é o triplo de 100% Fellype Gabriel. O cara ainda faz alguma diferença em campo, mas isso não é o principal. Ao trazer Ronaldinho Gaúcho, a diretoria do Galo trouxe de volta o time as capas de jornal. Positivamente, negativamente, dane-se. Estamos falando de um clube que estava esquecido, no canto. Antes de Ronaldinho, a última vez em que tínhamos ouvido falar do Atlético foi quando tomou 6x1 do Cruzeiro. Quando tá assim, jogadores e comissão vão perdendo confiança, a direção vai perdendo a fé em reerguer o clube e a torcida vai perdendo o orgulho por aquela camisa.
Ronaldinho Gaúcho foi importante para ressuscitar midiaticamente o Atlético. A partir dali começamos a vê-los com outros olhos. Mesmo quem duvida do cara (tipo eu) ficou com a dúvida “e se ele começa a resolver os jogos lá?”. Tem resolvido alguns. Tem se escondido em outros. Mas como disse anteriormente, isso não é o mais importante. Sem ele, provavelmente não veríamos o Galo sendo tão falado na TV (mesmo que líder), não leríamos sobre o Galo na internet, e eu não estaria escrevendo esse post.
3) A torcida e a volta à BH
Jogar em casa não faz diferença né? Torcida não ganha jogo não é mesmo? Este ano, com a reabertura do Independência, Atlético e Cruzeiro puderam voltar a jogar em BH, depois de dois anos rodando por Ipatinga, Sete Lagoas, Uberlândia. O Galo fez nove jogos como mandante no primeiro turno do Brasileirão, disputando consequentemente 27 pontos. Sabe quantos ganhou? 25. VINTE E CINCO. 92,6% de aproveitamento meus queridos. Voltar pra Belo Horizonte mudou o espírito do grupo e da torcida.
E por falar em torcida, a do Galo dá show. Vendo o jogo do Atlético você torce pra sair um gol só pra ver o Independência explodir. Foram impedidos de entrar no clássico contra o Cruzeiro devido a norma da torcida única em MG (que pra mim é o nível máximo do “passar recibo de incompetente” da polícia mineira). Pois bem, o que fizeram então os atleticanos? Foram até o CT, na Cidade do Galo, acompanhar a saída do time pro jogo. Milhares de pessoas que foram lá apenas pra mostrar que, se não poderiam estar fisicamente junto ao time no jogo, tentariam passar toda a força positiva possível pros caras antes do desafio.
É uma torcida sofrida, que nunca abandou o time, nunca deixou de lotar estádios (mesmo no interior de Minas), nunca deixou de apoiar esses pernas-de-pau, e que tá merecendo um título faz tempo.
4) A manutenção de Cuca
Cuca foi contratado em meados de 2011 com as boas referências do título mineiro e da impressionante fase de grupos do Cruzeiro na Libertadores. E seu início de trabalho foi uma lástima. Saiu da Sulamericana para o “poderoso” Botafogo e perdeu as quatro primeiras partidas que disputou no Brasileiro. Sendo a última, o clássico contra o Cruzeiro. No vestiário, entregou o cargo. E foi convencido a ficar. Engatou uma ótima campanha de recuperação que salvou o Atlético do rebaixamento. Recuperação que só foi manchada na última rodada, novamente no clássico, ao perderem por vexatórios 6x1 para os azuis. Mais uma vez, Cuca estava com a cabeça à prêmio.
E mais uma vez ficou. Ganhou o Mineiro, mas saiu da Copa do Brasil para o Goiás. Novamente entrava no Brasileirão sob a imagem de figurante. A partir daí, distante de todas as análises da imprensa, Cuca trabalhou, fechou o grupo, conseguiu reforços e montou uma espinha dorsal no Galo. Victor, Réver, Marcos Rocha, Pierre, Bernard e Ronaldinho. Estes seis formam a base de sustentação do time do Atlético e, como pode ver, não são jogadores acima da média (lembrando sempre daquele asterisco referente ao Ronaldinho). Ainda assim, estão funcionando perfeitamente, graças ao trabalho e a confiança depositada no tal do Alexi Stival Belludo. Um dos caras mais perseguidos do mundo do futebol enfim vive um grande momento na carreira. Não tem como não ficar feliz por ele. Tem capacidade e é bom de serviço. E por ter segurado as pontas do cara nos momentos difíceis, o atlético só tem a ganhar.
5) A incompetência alheia
É molecada, lá no comecinho do post usei de exemplo o aproveitamento do Barça no último Espanhol pra mostrar o quão bem está o Galo. Mas acontece que o Super-Barcelona, o imbatível, o time mágico, perdeu o último Campeonato Espanhol. Pois é amigos, você pode ser o melhor possível, jogar bem a maioria dos jogos, mas ainda assim dependerá da incompetência dos concorrentes pra ser campeão. Não tem jeito. Na temporada 2001-12, o Barcelona não pôde contar com a incompetência do Real Madrid, por isso não foi campeão. Já o Atlético...
No caso do Galo o cenário é muito mais favorável. Não tem um “Real Madrid” aqui (aliás, nem nada que se aproxime da sombra de um). Tanto é que o time é líder isolado com UM JOGO A MENOS, quer dizer, era pra ser mais isolado ainda. O time aproveitou bem o primeiro turno dos times desconcentrados na competição e abriu vantagem. Ao fim do primeiro turno eram doze pontos para a galera fora do G4. Os paulistas ficaram muito pra trás e não têm chance alguma. O rival Cruzeiro de Celso Roth mais tropeça do que ganha. O Internacional não sabe o que quer da vida. O Grêmio começou a melhorar, perdeu Elano e não inspira confiança. Entre os cariocas o Flamengo é uma piada, o Botafogo é o Botafogo e no Vasco parece que acabou o pó de pirlimpimpim que tornava o elenco cruzmaltino melhor do que realmente é. Só o Fluminense mesmo pode fazer frente.
O segundo turno é sempre mais desafiador e provavelmente o Atlético terá bem mais dificuldades. Mas deixaram o Galo marcar 43 pontos já no primeiro turno. Os dois últimos campeões brasileiros fizeram 71, e hoje, após o empate na estreia do segundo turno, faltam 27 pontos para alcançar a marca. Nove vitórias.
Ganha um doce quem adivinhar quantos jogos o time do grupo fechado com Cuca e Ronaldinho fará junto de sua torcida em BH até o fim do certame?
Exatamente. Nove.
Agora então é a hora de mostrar que nada disso foi acaso. A possibilidade de título tá nas mãos (ou nas garras) do Galo forte e vingador.
Quem sabe, em dezembro, o “Campeão dos Campeões”, o “mineiro imortal”, “Campeão do Gelo”, volte a ser o grande “orgulho do esporte nacional”.











