Talvez esse seja o melhor jeito de descrever o que aconteceu na manhã de ontem no ginásio do Maracanãzinho, na cidade do Rio de Janeiro.
Quem acompanhou a partida, viu um espetáculo, um show de bola, uma aula de voleibol.
Daquelas decisões especiais, onde uma equipe é muito superior a outra em todos os aspectos.
Até mesmo quem assistiu só a metade do primeiro set já pôde ver nos olhos das alaranjadas o que iria acontecer.
Neste sábado terminou a Superliga Feminina 2011-12.
Num jogo que apresentou uma equipe campeã tão incontestável quanto o Barcelona no Mundial do ano passado.
Não viu? Ficou curioso?
Calma, te conto como foi.
Osasco e Rio de Janeiro entraram em quadra para jogar sua oitava final de Superliga consecutiva. O Osasco teve um tempinho a mais pra descansar já que o Rio precisou jogar bastante pra eliminar a boa equipe do Vôlei Futuro. Mas isso não explica o que aconteceu.A final foi marcada, antecipadamente, no Maracanãzinho pela Federeção (antes que alguma teoria da conspiração apareça). O Rio veio de uma semifinal forte, jogaria com casa lotada, tinha um grande time e o (ainda?) melhor treinador do mundo. Não consigo imaginar condições mais favoráveis.
E mesmo assim fomos surpreendidos por uma anormal passividade das cariocas diante do dia iluminado das paulistas.
Começou o jogo.E em seguida, acabou o jogo.
O Osasco não deixou em nenhum momento dúvidas quanto ao fato de que sairia de quadra campeão. O primeiro set aliás, bastaria pra encerrar o jogo por nocaute técnico. 25x14 para o Osasco. Placar de Brasil e Venezuela, sabe? Nos dois sets seguintes, 25x18, 25x23, 3 sets a 0 pro Osasco.
Foi incrível observar, nas comemorações de pontos do Osasco, o quão vitorioso era o espírito de toda a equipe. Tava 5x3 no set, o time marcava o sexto e pulava, gritava, se abraçava de modo quase agressivo. Nos pontos do Rio via-se aquele abraço protocolar do vôlei e rostos tensos, quase descrentes da capacidade de cada uma. Aí não tem jeito, as paulistas deitaram e tomaram conta.Adenízia como oposta e Fabíola nos levantamentos foram impecáveis. Thaísa sacou brilhantemente o jogo todo.
A norte-america Destinee Hooker então foi o ponto de desequlíbrio, o "Neymar" do Osasco. O que essa mulher salta é simplesmente absurdo, uma injustiça para com suas adversárias.
Não raras vezes Hooker passou os ombros da linha rede, marcou 20 pontos (quase um set só dela) e funcionou como uma segura válvula de escape quando o Rio ameaçava atrapalhar.
Mas o mais legal de destacar no jogo de sábado foi outro ponto de desequilibrio que afastou o Rio do Osasco. As líberos.Fabí foi uma grande líbero do voleibol brasileiro. Foi decisiva em vários títulos, uma das líderes do grupo vencedor que, após anos de injustiças, alcançou a glória em Pequim. Merece todas reverências pra sempre.
Mas já não tem mais um vôlei de alto nível pra oferecer.
Camila Brait por sua vez vive um momento mágico. Salvou bolas impossíveis na partida. E o mais importante na vida de um(a) líbero: recepcinou bem praticamente todos os saques cariocas e só distribuiu bola boa pra sua levantadora.Coisa que Fabí não conseguiu.
Se sua líbero não recepciona adequadamente, não consegue colocar a bola na mão da levantadora. Se a bola não chega boa nas mãos da levantadora, a mesma é praticamente anulada no jogo.
E se você não tem levantadora não tem jogo. Simples assim.
Ficou o recado para José Roberto Guimarães.
Ele pode levar Fabí titular para Londres graças a bela história que ela construiu na Seleção.
Ou pode levar Camila titular para construir novas belas histórias olímpicas para o Brasil.
Boa sorte à ele nessa decisão.
Ao Rio, melhor sorte na Superliga 2012-13.
Ao Osasco, parabéns pela campanha intocável desta temporada.
Principalmente ao, por muitas vezes subestimado, Luizomar de Moura. O cara é fera.E as meninas claro.
Que não vão precisar ouvir provocações cariocas por um bom tempo.
Parabéns gatas!

