terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Era uma festa popular...

Então meu povo, já que o carnaval paulista se acha no direito de misturar esporte e carnaval, também me dei o direito de escrever um pouco aqui sobre o vexame de hoje.

O problema vai muito além do novo bebezão do Itaú.

Aproveito pra deixar minhas opiniões sobre o que o carnaval paulista se tornou nos últimos anos.

Começando pelo grande problema da edição deste ano.

A Liga abriu um grave precedente.

E eu explico qual foi.

Dois jurados precisaram ser substituídos por razões que não vem ao caso.

A Liga mantém um grupo de jurados suplentes, para este tipo de ocorrência.

E outros dois jurados deste grupo foram colocados no lugar.

Até aí nada de mais.

Acontece que a substituição foi realizada em cima da hora, na noite de véspera dos desfiles.

E as escolas foram "comunicadas" por e-mail.

Quando parece haver um consenso de que todas as mudanças desse tipo devem ser comunicadas as escolas em reunião ou pelo menos de modo individual e pessoalmente, principalmente às vésperas dos desfiles.

A comunicação por e-mail até poderia ser cogitada, fosse com bastante antecedência e com a certeza de que todas as escolas teriam tempo de receber a informação.

Avisar pela internet e não fazer nem mesmo um follow up com os presidentes foi de uma falta de bom senso ímpar.

Bom, como se pode imaginar, nem todo mundo ficou a par das mudanças.

Quando descobriram, na reunião pré-apuração, já tinham desfilado.

Aí nasceu a questão.

Sabendo-se que algumas escolas desfilaram sem saber ao certo quem estava os julgando, as notas atribuídas por estes dois jurados deveriam valer?

Na minha opinião, deveriam sim.

Não muda nada e as escolas sabem disso.

Mas o problema, como disse mais acima, é que a atitude (ou a falta de atitude) da Liga abriu um precedente para os presidentes melarem o campeonato.

A galera das escolas candidatas à queda, convenientemente, sugeriam que não houvesse rebaixamento esse ano.

Outros queriam apenas anular as notas dos dois jurados substitutos.

Enfim, uma confusão.

Que se prolongou até hoje.

A questão precisou voltar a ser debatida numa nova reunião pouco antes da apuração, atrasando a mesma.

Não se sabe bem como (reluto em afirmar uma pressão da TV) a reunião terminou e o oficial era que todas as notas iriam valer.

No entanto, todo representante da escola que era entrevistado afirmava ter ficado com a famosa "pulga atrás da orelha".

O clima estava tão estranho, mas tão estranho, que o que veio depois não surpreendeu tanto.

Lembrando sempre que nada justifica a atitude dos idiotas que invadiram o palco.

Pricipalmente o novo bebezão do Itaú, que felizmente já foi preso.

Mas acontece que o tal precedente dava a oportunidade de toda escola supor que sua pior nota foi dada pelo tal jurado substituto.

E no carnaval, quem perde sempre fica muito puto, mas nunca tem quem culpar.

E então fica quieto e vai chorar na cama que é lugar quente.

A apuração e as notas desse ano foram iguais as de todos os anos.

Com a diferença de, dessa vez, termos um suposto culpado virtual cujo o nome nem se sabe.

E então a revolta expldiu.

A regra até prevê, mas se todas as escolas envolvidas forem eliminadas, ano que vem não tem desfile.

Então devemos mesmo ter uma ou duas escolas no máximo punidas e vamo e que vamo.

Quanto a postura da Gaviões da Fiel, em sua maioria, com seus atos de vandalismo, o fato de terem se aproveitado da confusão para depredar a cidade é digna de bandidos.

E incendiar o carro da Pérola Negra foi digno de gente que não vale o que come.

Não venham querer justificar o injustificável com a nota 8,9 que fica mais feio ainda.

Já que estavamos falando em precedentes, a Gaviões abriu hoje um gigantesco para a volta dos comentários preconceituosos para com seus integrantes.

Que não são todos bandidos.

E também vai voltar o papo de tirar as organizadas do carnaval.

O que na minha opinião seria muito bom.

Sou totalmente contra mistural futebol e carnaval.

As escolas têm de representar seus bairros, suas comunidades.

E não grupos fanáticos.

Mas o problema disso tudo tem nome.

Dinheiro.

Hoje, mais do que nunca, quem traz mais grana pro carnaval paulista tem privilégios.

Por isso Mocidade Alegre e Vai-Vai sempre estarão no Desfile das Campeãs (aquele que reúne na sexta-feira seguinte ao carnaval, as cinco ou seis primeiras colocadas da apuração).

Por isso a Liga vê com bons olhos o fortalecimento da Gaviões, da Mancha e agora da Dragões da Real, no Grupo Especial.

Enquanto uns garantem os patrocínios, outros garantem público.

Já faz algum tempo que só vejo com prazer o carnaval do Rio.

Sem papinho de carioca (até porque não sou), lá o significado ainda é o mais puro.

Não sou inocente a ponto de achar que não rolam esquemas lá também.

Mas eles ainda conseguem manter o espírito da coisa, sabe?

O pessoal representa cada um seu canto e isso é o mais legal.

Enfim, torço pelo desenvolvimento do carnaval paulista, de verdade.

Mas continuando nesse caminho, vai ficar igual o Paulistão.

Só faltando pra isso escolas de samba itinerantes de Guratinguetá e Presidente Prudente.